significado furtado


na noite que invadiram minha casa e levaram meu notebook na minha mochila preferida, retirei minhas coisas reviradas e espalhadas de cima da cama e tentei dormir como se fosse uma outra noite qualquer...

no sonho, ela apareceu do nada, enquanto eu conversava com outras duas pessoas desconhecidas, na sala de uma casa que eu nunca visitei. trazia numa das mãos um livro aberto seguro contra o peito, os seios volumosos inflavam uma blusinha clara e sem mangas de aspecto macio, os pés descalços sustentavam grossas coxas saindo de um shortinho folgado, seu cabelo desgrenhado e seus olhos vazios não inspiravam desejo nem medo.

falou-me qualquer coisa ininteligível - a princípio embuçada pela minha concentração em sua imagem; ou talvez pela própria natureza mística dos sonhos - e deu-me as costas, passando por uma porta que poderia ser de um quarto.

deixei para trás os dois figurantes que compunham o ambiente e passei pela mesma porta (e talvez mais outras duas), até chegar num cômodo desarrumado, peças de roupa aleatoriamente jogadas pelo chão, um guarda-roupa antigo sem uma das portas e o livro desfocado no chão, aberto talvez na mesma página em que se apresentara anteriormente.

sobre a cama, cobertas e lençóis amarrotados, cabelos castanhos cobrindo parcialmente os travesseiros já quase sem fronhas, grandes seios firmes desnudos e semi enrijecidos de prazer, coxas fortes hasteando e arriando joelhos que tremiam em harmonia cartesiana sob o incessante vibrar de um dispositivo cor-de-rosa pressionado contra uma belíssima rosa-de-carne.

por ação do magnetismo implícito, aproximei-me e pude sentir (de verdade!) seu calor e inquietude. se alguns sonhos são inexplicáveis, seria inexplicável eu estar sem roupa desde o início da cena. a este fator atribuo então o lapso que me transpusera sobre ela, igualmente nu, para o derradeiro final.

eis que, para o meu mais que real espanto, num movimento de carinho e paixão de um beijo, sinto meu corpo inteiro tremer (de verdade!!!) como se levasse uma descarga elétrica. retorno ao domínio da realidade e, quase ofegante, observo que o notebook - assim como a mochila e o sonho - já não está mais comigo.

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